Os hoteleiros do Algarve pediram ao Governo a suspensão do sistema europeu de controlo de fronteiras (SEF) no aeroporto de Faro durante a época alta, alertando para o "risco de prejuízo para a imagem turística do Algarve".

O pedido foi feito pela Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) numa carta dirigida ao primeiro-ministro e aos ministros da Economia e do Turismo, anunciou hoje a maior associação hoteleira algarvia.

Na carta, a AHETA manifesta "profunda preocupação relativamente à implementação do 'Entry/Exit System' (EES), o novo sistema europeu de controlo de fronteiras para registo biométrico dos passageiros que chegam de fora do espaço Schengen".

Na sequência de uma recente reunião com a direção do Aeroporto Gago Coutinho, a associação admite que as perspectivas para o verão de 2026 "são assustadoras", antecipando um cenário de congestionamento "que poderá ultrapassar o caos vivido em anos anteriores e causar danos irreparáveis" à reputação do Algarve como destino turístico.

O EES, que resulta de um acordo entre 29 países do espaço Schengen, começou a ser testado em outubro de 2025 e deverá estar em pleno funcionamento em abril de 2026, coincidindo com o início da época alta no Algarve.

A AHETA argumenta que "as ineficiências já demonstradas" pelo sistema têm provocado filas monumentais nos aeroportos europeus, destacando o Aeroporto de Lisboa, onde o Governo suspendeu a sua utilização no final de 2025 e, durante três meses, estará em vigor a aplicação do EES (Sistema Eletrónico de Segurança e Saúde) "para evitar o colapso das operações e normalizar o fluxo de passageiros".

A associação refere que o mercado britânico representa mais de 50% do tráfego no Aeroporto Gago Coutinho, em Faro, entre abril e outubro e, sendo um país fora do Espaço Schengen, estará totalmente sujeito aos novos controlos biométricos e de registo.

"O esforço de diversificação de mercados, que tem permitido aumentar a atração de turistas dos Estados Unidos e do Canadá, poderá também ficar comprometido, uma vez que estes passageiros de longo curso terão de enfrentar os mesmos procedimentos à chegada", lê-se no comunicado.

Para evitar filas e longas esperas no Aeroporto de Faro, a AHETA insta o Governo a seguir as recomendações da Associação Britânica de Agentes de Viagens e a aplicar, em toda a sua extensão, as medidas de contingência previstas pela União Europeia.

O principal pedido é a suspensão temporária do novo sistema de controlo de passageiros entre 1 de junho e 30 de setembro, para evitar que o pico da procura turística seja marcado por horas de espera e "protestos massivos" de passageiros e operadores.

A AHETA pede ainda "um reforço urgente" dos meios humanos e dos pontos de controlo eletrónico, considerando imperativo fazer tudo o que estiver ao alcance do Estado e das instituições para "minimizar as dificuldades" de quem visita o país.