Moldada pelo seu isolamento e paisagem rural, a "costa azul" apela às actuais exigências de estilo de vida, que incluem uma forte preferência pelo desenvolvimento de baixa densidade. Embora o mercado seja ainda relativamente pequeno em termos de volume, atrai compradores de elevado valor que procuram terrenos, privacidade e proximidade da praia.

Numa entrevista com o Managing Partner Nuno Durão e a Marketing Manager Sandra Fernandes da IRG Fine & Country - Luxury Real Estate in Portugal, analisamos mais de perto esta zona de elevado perfil para melhor compreendermos que tipo de movimentos imobiliários estão a ocorrer neste momento. A IRG Fine & Country é uma agência com escritórios locais na Comporta, Estoril e Lisboa e conta com cerca de 22 colaboradores. Foi uma das primeiras agências imobiliárias na Comporta, tendo aberto o seu escritório em 2014. Em particular, a falência do banco português BES acelerou as transacções na zona.

Na zona da Comporta, a IRG Fine & Luxury vendeu cerca de 20 propriedades no ano passado, com um valor médio de transação de cerca de 1 milhão de euros - variando entre 400 000 euros e uma propriedade de 15 milhões de euros. Cerca de 40% dos compradores são de nacionalidade portuguesa. Os grupos internacionais mais fortes são os brasileiros, os americanos e os franceses. Curiosamente, antes eram os chineses e os turcos que procuravam a zona. As nacionalidades variam de ano para ano.

De acordo com Durão, os preços são influenciados sobretudo por factores estruturais, como os custos de construção, os preços dos terrenos e os impostos, e não pela procura estrangeira. Segundo Durão, os compradores estrangeiros com capital substancial representam cerca de 2 por cento do mercado imobiliário português. Desde a pandemia de Covid-19, os preços dos terrenos aumentaram significativamente e o custo da construção também, devido à procura de bens importados, o que faz com que, por vezes, seja mais barato construir em Lisboa do que na Comporta.

Então, o que é que o comprador típico da Comporta, Carvalhal, Troia e Melides procura?

Muitas vezes procuram uma distância a pé da praia, quintas isoladas e propriedades no pinhal. Devido à distância de 2 km até à costa, o desenvolvimento de projectos totalmente residenciais em frente à praia é limitado. Os projectos orientados para o turismo são mais viáveis, mas um empreendimento totalmente residencial na praia é limitado. Durão salienta que, embora possa não ter sido a primeira opção para os compradores, os condomínios estão a emergir como uma solução frequentemente adequada, uma vez que oferecem manutenção e segurança aos proprietários que poderão utilizar a sua propriedade principalmente para férias.

Como se perspetiva o futuro do mercado imobiliário na "costa azul"?

Uma nova área comercial e melhores infra-estruturas no Carvalhal torná-lo-ão mais acessível para viver durante todo o ano, mantendo, no entanto, a sensação de isolamento e a paisagem da praia. Espera-se também que Troia desempenhe um papel importante no desenvolvimento futuro da zona. No que diz respeito a Melides, a zona será, segundo Duraõ, muito provavelmente influenciada pelo elevado volume de projectos industriais no porto de águas profundas de Sines. Um efeito de arrastamento positivo, que criará uma grande procura de habitação e desenvolverá as infra-estruturas.

Por último, o IRG Fine & Country salienta que os compradores não devem deixar que os poucos acessos actuais à praia ditem a localização da sua próxima compra, mas sim analisar onde serão colocados os novos resorts. Estes resorts são obrigados a criar uma estrada de acesso público à praia e vários resorts já estão a ser construídos, tornando uma parte mais ampla da linha costeira altamente atractiva.