O Trilho dos Sete Vales Suspensos é um dos percursos pedestres costeiros mais conhecidos do Algarve, estendendo-se por cerca de seis quilómetros entre a Praia da Marinha e a Praia de Vale Centeanes, perto do Carvoeiro. O trilho segue o topo das falésias calcárias e passa por uma série de pequenos vales que foram formados ao longo de milhares de anos pela erosão da água da chuva e pelo desmoronamento de grutas costeiras.

O nome "vales suspensos" deve-se ao facto de estes vales se situarem acima do mar, em vez de se encontrarem com ele ao nível do rio. Originalmente, a água fluía do interior em direção ao oceano, esculpindo vales no calcário macio. Com o tempo, o mar erodiu a base das falésias, provocando a formação de grutas e o seu colapso. Isto deixou os vales "pendurados" acima da linha costeira, razão pela qual muitas das praias ao longo deste troço são acedidas por degraus íngremes e não ao nível do solo.

A costa calcária do Algarve remonta a cerca de 20 a 30 milhões de anos, a um período em que a região estava submersa. Os fósseis da vida marinha ainda hoje podem ser encontrados na rocha. A combinação constante do vento, da chuva e da ação das ondas continua a moldar a linha costeira, razão pela qual por vezes ocorrem quedas de rochas e por que as secções do trilho são ocasionalmente desviadas por razões de segurança.

Ao longo do trilho, os caminhantes passam por vários pontos de referência bem conhecidos, incluindo a zona de Benagil, o farol de Alfanzina e vistas sobre a Praia da Marinha, que é frequentemente listada entre as mais belas praias da Europa. O percurso em si não é uma caminhada técnica, mas é irregular em alguns pontos e inclui secções expostas no topo da falésia, pelo que se recomenda calçado adequado.

Historicamente, esta linha costeira era mais utilizada por pescadores do que por turistas. Muitas das pequenas enseadas por baixo das falésias só eram acessíveis por barco e as comunidades piscatórias utilizavam-nas para chegar ao mar e guardar o seu equipamento. O turismo começou a expandir-se pelo Algarve nas décadas de 1960 e 1970, particularmente ao longo da costa central, nas zonas de Lagoa e Albufeira. O Trilho dos Sete Vales Suspensos foi oficialmente assinalado décadas mais tarde como parte de uma rede regional de percursos pedestres destinada a promover o turismo de natureza e a limitar a construção ao longo das arribas.

Hoje, o Trilho dos Sete Vales Suspensos faz parte de uma rede mais alargada de percursos pedestres no Algarve e é mantido com caminhos marcados e painéis informativos. A caminhada completa demora cerca de duas a três horas, dependendo do ritmo e das paragens ao longo do caminho. Muitas pessoas optam por caminhar apenas uma parte e depois regressar, em vez de completar o percurso completo numa só direção.

O que torna este trilho importante não são apenas as vistas, mas a geologia e a história que explicam como se formou a costa algarvia. Percorrer o trilho dá uma noção clara de como a paisagem mudou ao longo do tempo e porque é que este troço de costa tem o aspeto que tem hoje.