Maria da Graça Carvalho, responsável pelo Ministério do Ambiente e Energia, afirmou que o projeto está pronto a avançar e que as obras podem começar no início da semana, mas antes quer ter uma conversa com Rui Cristina, que descreveu a construção da dessalinizadora como um "erro grave" num vídeo divulgado nas redes sociais.
Projeto em curso
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita às obras de reposição de areias nas praias de Loulé, Maria da Graça Carvalho afirmou que, desde que chegou ao Governo e encontrou a central dessalinizadora prevista para Albufeira, o projeto avançou e "tem neste momento todas as condições para avançar", depois de ter obtido uma Declaração de Impacte Ambiental favorável e de ter sido realizada uma "consulta pública" com a participação de entidades, academia e Organizações Não Governamentais.
Obteve depois uma Declaração de Conformidade do Projeto de Execução (DECAP) e já "tem a autorização para iniciar os trabalhos", que foi emitida a 17 de abril.
"É um processo irreversível no sentido em que ainda não começou, apenas porque quero ter a oportunidade de falar mais uma vez com o presidente da Câmara de Albufeira", afirmou, quando questionada sobre a inevitabilidade de o projeto avançar, apesar das críticas feitas pelo autarca.
Solução para a seca no Algarve
Maria da Graça Carvalho lembrou que o projeto foi lançado quando o Algarve enfrentava uma seca extrema e que todos os estudos científicos apontam para uma redução dos níveis de precipitação e evaporação na região nos próximos anos, tornando as secas "cada vez mais frequentes", com "impacto" na agricultura, no turismo, nos espaços verdes e no consumo humano da região.
O ministro do Ambiente garantiu que "esse trabalho é para ser feito", dotando o Algarve de uma solução que evite o risco de restrições ou faltas de abastecimento quando a seca se intensificar.
Reação do Presidente da Câmara
O ministro fez estas declarações quando confrontado com o vídeo divulgado pelo presidente da Câmara de Albufeira, no qual Rui Cristina avisa que não existe "qualquer ato formal, protocolo, consulta ou decisão" que represente o apoio municipal ao projeto.
"E digo sem hesitação, somos completamente contra. Não estamos a falar de um espaço qualquer, estamos a falar de ecossistemas sensíveis e da Praia da Falésia, que é um dos maiores símbolos de Albufeira, uma referência mundial e um património natural de valor excecional", disse, considerando que a obra terá um "impacto profundo" e é "um erro político, ambiental e territorial."
A autarca garantiu que a Câmara Municipal de Albufeira "não pode aceitar sacrificar este património por falta de coragem para avançar com soluções estruturais" e prometeu, caso as obras avancem, tomar "todas as medidas necessárias para defender Albufeira e os seus munícipes".
Questionada sobre se já tem uma data para se reunir com o presidente da Câmara de Albufeira, a ministra disse que não, mas garantiu que entrará em contacto com o autarca.






