No centro desta revolução técnica está o Dr. André Sancho Ramos, gastroenterologista que tem dedicado a sua carreira ao avanço da endoscopia terapêutica.

Com uma carreira sólida de mais de década e meia, o especialista tornou-se uma referência na região, trazendo para o sector privado do Algarve valências que, até há pouco tempo, obrigavam os doentes a deslocarem-se aos grandes centros urbanos de Lisboa ou ao Norte do país.

O percurso do Dr. André Sancho Ramos é marcado por um rigor técnico que começou a ganhar forma muito antes da sua chegada ao Grupo HPA. Tendo concluído a sua especialização em 2010, o médico acumula já 16 anos de prática dedicada quase exclusivamente à vertente mais complexa da gastrenterologia: a endoscopia avançada. Esta dedicação reflecte-se na sua passagem pelo sector público, nomeadamente no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), em Faro, onde foi um dos principais impulsionadores da implementação das técnicas de dissecção submucosa. A sua transição para o HPA foi, como o próprio descreve, "um casamento de interesses", unindo a vontade da instituição em investir em tecnologia de ponta com a sua vasta experiência em intervenções de elevada complexidade.

Atualmente, o Dr. André Sancho Ramos lidera procedimentos que tratam patologias benignas, como divertículos esofágicos e acalasia, bem como tumores oncológicos em fase inicial. Através da técnica de Dissecção Endoscópica Submucosa (DSE), o médico consegue realizar o que chama de "cirurgia sem cicatrizes", garantindo uma recuperação recorde, sem as marcas físicas ou a dor associadas aos métodos tradicionais.

Entrevista com o Dr. André Sancho Ramos

The Portugal News (TPN): O que torna esta técnica de tratamento dos divertículos do esófago tão inovadora neste ramo da medicina?

André Ramos (AR): Esta técnica vai muito para além do simples tratamento de um divertículo, representa uma mudança de paradigma. Ela se baseia no princípio da "endoscopia do terceiro espaço". Para contextualizar, quando introduzimos um endoscópio, trabalhamos no lúmen do órgão - o primeiro espaço. A cirurgia laparoscópica trabalha na cavidade peritoneal - o segundo espaço. Criamos um "terceiro espaço" virtual entre a mucosa e a camada muscular. Existe ainda um quarto espaço, onde navegamos entre as próprias camadas musculares. No caso dos divertículos ou da acalásia, o objetivo é cortar o músculo hipertrofiado que impede a passagem dos alimentos. Através deste túnel, acedemos ao músculo, realizamos a miotomia (corte) e, por fim, fechamos o ponto de entrada com clips especiais. Trata-se de uma intervenção cirúrgica de grande precisão, efectuada inteiramente por via endoscópica, sem qualquer incisão externa.


TPN: Como é que esta técnica tem sido aplicada na região do Algarve e qual a sua experiência pessoal com a mesma?

AR: Dedico-me à vertente terapêutica complexa há cerca de 16 anos. A minha mudança para o Grupo HPA reflectiu precisamente esta ambição de avançar na oncologia e nas doenças benignas complexas. Fomos pioneiros no Algarve na realização destas intervenções no sector privado. Utilizamos "facas de dissecção" microscópicas que nos permitem "escalpelizar" as lesões. É um trabalho meticuloso, pois as paredes do esófago e do intestino são muito finas. Temos de aprofundar a margem de recessão para garantir a remoção completa da lesão, mantendo a integridade do órgão para evitar perfurações. Esta experiência, que começou no hospital público de Faro e está agora consolidada no HPA, permite-nos oferecer uma alternativa segura à cirurgia clássica.


TPN: Em que medida é que esta inovação beneficia os doentes oncológicos em fase inicial e como funciona a recuperação?

AR: O benefício é imenso. No passado, muitos destes pólipos tumorais eram removidos de forma fragmentada, o que resultava numa taxa de recorrência de cerca de 20%. Com a dissecção, removemos a "árvore com a raiz" (o princípio do desenraizamento), assegurando margens livres. Se o tumor estiver numa fase inicial e não houver sinais de disseminação linfonodal, a cura é total e definitiva apenas com este procedimento. Quanto à recuperação, é super rápida. O doente é hospitalizado apenas durante uma noite, por precaução. No dia seguinte, tem alta, regressa a casa praticamente sem dores e, em poucos dias, retoma a sua alimentação normal, passando dos líquidos aos sólidos. É o fim do pesado pós-operatório de 5 ou 7 dias de hospitalização.

Créditos: Imagem fornecida; Autor: HPA;

TPN: Quais são os planos para o futuro no que respeita à divulgação desta técnica na região?

AR: O plano principal é a consciencialização. Temos de estar presentes e dar-nos a conhecer, não só ao público mas também aos nossos pares.

Muitas vezes, o médico de família ou o cirurgião, por hábito, encaminha o doente para a cirurgia tradicional. O meu trabalho é mostrar que a alternativa endoscópica existe, é eficaz e está disponível aqui no Algarve. Queremos que esta seja a primeira opção e não o último recurso. O Algarve tem uma população muito diversificada, com muitos residentes estrangeiros que trazem patologias com incidências variadas, e nós temos capacidade para dar resposta a todos, garantindo que ninguém precisa de sair da região para ter acesso à melhor tecnologia médica disponível.

O Futuro da Medicina Minimamente Invasiva

A implementação destas técnicas avançadas pelo Dr. André Santos Ramos e pelo Grupo HPA Saúde marca um ponto de viragem na medicina algarvia. Ao transformar intervenções que antes exigiam grandes incisões e recuperações prolongadas em procedimentos ambulatórios de elevada precisão, o sector da saúde da região reafirma a sua competitividade. A aposta passa agora pela educação clínica e pela literacia em saúde, fazendo com que o diagnóstico de um tumor precoce ou de uma doença motora do esófago deixe de ser sinónimo de trauma cirúrgico e passe a ser encarado como um problema que pode ser resolvido de forma segura, subtil e, sobretudo, clinicamente eficaz.

As marcações de consultas e exames podem ser feitas através do site www.grupohpa.com, da aplicação myHPA Saúde, agora também disponível em inglês, ou através do telefone (+351) 282 420 400.