O responsável acredita que a guerra no Médio Oriente pode redirecionar os turistas para Portugal.
As reservas nos hotéis da região estão "boas" para a época da Páscoa e "em linha com 2025", o que significa que, nesta altura de março, os hotéis do Porto e Norte de Portugal têm "cerca de 80% de taxa de ocupação", disse Luís Pedro Martins, em entrevista telefónica à agência Lusa.
No hotel Douro Suites Riba Douro, em Baião, distrito do Porto, por exemplo, o fim de semana entre a Sexta-Feira Santa (3 de abril) e o Domingo de Páscoa (5 de abril) tem uma taxa de ocupação de 80%, disse Cláudia Amaral, da administração, acrescentando que "este ano tem havido muitas reservas de última hora", o que não é habitual naquele hotel.
O fenómeno é atribuído à "instabilidade meteorológica que tem marcado os últimos meses", com as pessoas a quererem "sol garantido".
Em destinos como o Porto e Braga, cidades com forte tradição na Semana Santa, os números "rondam os 85%", disse o presidente da TPNP.
Turistas estrangeiros
A pouco mais de uma semana da Páscoa, o presidente da TPNP acredita que as reservas vão continuar a aumentar nos próximos dias, impulsionadas pelo mercado interno e por mercados "maduros" como Espanha, França, Alemanha e Reino Unido.
"É possível que voltemos a ter aqui um bom desempenho nesta Páscoa, em grande parte por parte daqueles mercados que são mais frequentes nesta altura, em primeiro lugar Espanha, mas também França, Alemanha e este ano o Reino Unido", apontou.
Questionado pela Lusa sobre se a guerra no Médio Oriente poderá redirecionar turistas para Portugal, e especificamente para a região Norte, Luís Pedro Martins disse que o país poderá ter alguma procura por estar mais afastado do conflito.
Mudanças de planos
O presidente da TPNP salienta que alguns turistas que estavam a planear visitar o Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a Turquia ou o Egito nesta altura do ano, não deverão fazê-lo devido à guerra no Médio Oriente.
No entanto, há questões que podem desestabilizar o sector do turismo, como o aumento do preço dos combustíveis, as dificuldades que as companhias aéreas vão enfrentar com o aumento do custo do combustível ou com a sua escassez, ou mesmo alguns turistas que não querem viajar em tempo de guerra, considerou o responsável.
O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, no entanto, descarta, para já, uma crise no sector turístico da região, porque o "trabalho de casa" está feito.
"Os nossos mercados hoje são muito diversificados, não estamos dependentes de um ou dois mercados. No contexto atual, vamos servir sobretudo o mercado interno, com o Porto e o Norte a liderarem em 2025 (...). Foi algo que aprendemos com a pandemia [de Covid-19]: a valorizar mais o mercado interno, e hoje é forte e tem um peso na ocupação [hoteleira]."
Luís Pedro Martins refere que a região é também fortemente apoiada por mercados "maduros", como Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, e mais recentemente pelos mercados italiano e irlandês, que têm "crescido bastante" e estão longe do conflito e próximos de Portugal.
Por outro lado, o conflito no Médio Oriente pode pôr em causa a possibilidade de os turistas dos mercados da Ásia-Pacífico chegarem a Portugal, uma vez que poderão ter de fazer escala em locais como o Dubai ou mesmo Istambul. O presidente da TPNP lembrou que os mercados asiáticos são importantes para Portugal e que a região Norte investiu "fortemente em acções de promoção externa em 2024 e 2025, em países como a China, o Japão e a Coreia do Sul".








