Estava a brincar. Mas é verdade que mudámos de domicílio ao longo dos anos até que finalmente decidimos ficar em Portugal. Foi no Zambujal que mandámos vir os nossos pertences que estavam guardados nos Estados Unidos. Estava na altura de ter uma casa própria. As lições que aprendemos ao longo do caminho são as seguintes. Embora algumas dicas possam ser aplicadas ao arrendamento em qualquer lugar, outras envolvem situações específicas do nosso país de adoção.

1. Localização, localização, localização. Para nós, esta frase não se refere a uma vista para o mar ou para a montanha, ou ao acesso a grandes lojas e restaurantes. Trata-se de nos protegermos do nível frequentemente insano de ladrar que se verifica em muitas zonas de Portugal. Na Zambuja,l tínhamos uma voz canina numa varanda ao lado a ladrar todas as noites às três da manhã, e em Mafra, dois grandalhões do outro lado da rua começavam a ladrar sempre que abríamos a porta de entrada. Quando comprámos, fizemos questão de comprar no centro de Portugal, "onde Judas perdeu as botas", como se diz por cá - no meio do nada.

2. Não contem com uma escritura sem falhas. No dia do fecho da nossa compra, tínhamos todos os documentos em ordem. Estávamos todos reunidos em Mafra, prontos para ler, assinar e rubricar páginas intermináveis, quando se descobriu que o vendedor não tinha um documento essencial e precisava de ir a Lisboa buscá-lo. O que fazer? O que fazer? Estamos em Portugal. O meu marido e eu limitámo-nos a ir com o nosso agente imobiliário e advogado almoçar durante três horas até podermos retomar o processo.


3. Espere encontrar surpresas. O exterior da nossa nova casa tinha um aspeto um pouco rude. A piscina estava meio cheia de água verde-limão e a vinha descaída parecia ter sido tomada de assalto por um bando de corvos há anos. Sabíamos que havia trabalho a fazer. Mas o interior era fantástico. Era fantástico, isto é, até começarmos a fazer alguns melhoramentos na cozinha e descobrirmos uma quantidade enorme de bolor à espreita nos electrodomésticos e atrás deles, nas paredes. O meu marido arrancou tudo, deitou fora o fogão e o lava-loiça, encomendou um lava-loiça de quinta Villeroy and Boch espetacular e comprou madeira para construir armários novos. Resultado? Passámos os nossos anos lá a usar uma torradeira, um fogão de indução portátil e o lava-loiça da lavandaria. Não perguntes.

4. Esteja aberto a acrescentar coisas. Numa tarde de verão, estávamos sentados no pátio com o meu irmão e a minha cunhada, que estavam de visita ao Novo México. Um jovem casal subiu a íngreme entrada da garagem e aproximou-se de nós. Isto não acontecia na nossa zona isolada. (Ver ponto número 1.) Um deles tinha herdado a ruina no fundo da colina, do outro lado do muro de pedra. Queriam vender. Receando que alguém com um animal de estimação que exercitasse as suas cordas vocais durante toda a noite (ver ponto número 1) a comprasse, comprámos a propriedade. Decidimos compensar esta despesa inesperada, esventrando-a e renovando-a completamente (respeitando a área de implantação). Entraríamos no negócio do turismo rural! Na verdade, não. Vendemo-la a uma francesa simpática que parecia uma Brigitte Bardot envelhecida. Ela tinha gatos.

Créditos: Imagem fornecida; Autor: Tricia Pimental; Keith a trabalhar na nossa primeira Vindima

5. Aproveitar a terra ao máximo. Se tiver árvores de fruto ou uma horta, cultive-as. Ficámos espantados com o que conseguimos fazer com a nossa vinha no segundo ano na quinta, que mencionei neste artigo há alguns anos. Lembre-se que as linhas de propriedade podem ser estranhas devido à prática comum de dividir a terra por vários membros da família para que cada um tenha a sua parte do bolo. Por isso, certifique-se de que é seu antes de começar a colher ou plantar.

6. Prepare-se para conhecer os seus vizinhos. O nosso vizinho mais próximo era uma pastora e nós permitimos alegremente que o seu rebanho de ovelhas pastasse no nosso terreno. Cenas pacíficas de pastorícia e menos trabalho para o meu marido no trator. Os vizinhos que não apreciávamos eram os habitantes locais que faziam corridas de motas no terreno de terra batida vazio, mesmo atrás e por cima da nossa casa. Pertencente ao clube de futebol local, nunca era utilizado por eles e, por isso, muitas tardes de domingo tornavam-se um espetáculo. (Lá se vai o ponto número 1.)

7. Participar em actividades comunitárias. Vivíamos perto de Alpedrinha, e um ano participei no Festival Anual dos Chocolhas. Foi um passeio fantástico com ovelhas e pastores, e senti-me imensamente ligado à minha comunidade.

Desejo-vos tudo de bom, seja onde for que arrendem ou possuam, e um arco-íris para atar tudo. Um pote de ouro também seria bom.