Não por ser glamoroso. Normalmente é o contrário.
As lojas são muitas vezes mais pequenas do que aquilo a que muitos americanos estão habituados, com menos marcas a competir pela atenção e menos ênfase na rapidez ou na conveniência. Mas algures entre comprar pão numa padaria local, parar num mercado de fruta a caminho de casa, ou perceber que os ovos custam uma fração do que custam em algumas partes dos Estados Unidos, muitas pessoas começam a sentir que a vida quotidiana funciona de forma mais acessível aqui.
Créditos: TPN; Autor: Kam Heskin;
As compras de alimentos em Portugal continuam a estar intimamente ligadas à vida quotidiana. As pessoas fazem compras com mais frequência, compram quantidades mais pequenas e escolhem frequentemente o que está na época e não o que está disponível durante todo o ano. Os mercados ao ar livre continuam a fazer parte da vida quotidiana em muitas cidades, e as padarias locais ainda têm filas à porta de manhã.
Muitos americanos recém-chegados também se tornam cada vez mais conscientes das diferenças nos ingredientes e na cultura alimentar. A União Europeia regula uma série de aditivos e ingredientes de forma diferente da dos Estados Unidos, algo que se tornou um ponto de conversa crescente entre os expatriados que se estão a adaptar à vida no estrangeiro. Mas para além dos regulamentos, muitas pessoas descrevem simplesmente a comida como tendo um sabor mais simples. O pão estraga-se mais depressa porque muitas vezes contém menos conservantes. Os produtos hortícolas são mais sazonais. Os lacticínios têm um sabor diferente. As refeições são menos planeadas em função da conveniência.
Também há diferenças práticas. Os frigoríficos e as cozinhas mais pequenos desencorajam naturalmente o tipo de compras a granel que é comum nos Estados Unidos. Em vez de carregar o carro uma vez por semana num armazém, muitas pessoas em Portugal vão buscar o que precisam ao longo da semana. Com o tempo, as compras começam a parecer menos uma operação logística e mais uma parte da vida quotidiana.
Créditos: TPN; Autor: Kam Heskin;
O custo é outro fator que os americanos mencionam regularmente. Embora os preços da habitação em Portugal tenham subido muito nos últimos anos, muitos recém-chegados continuam a achar que os bens essenciais do dia a dia são visivelmente mais baratos do que nas grandes cidades americanas. Um café e uma pastelaria podem custar menos do que uma bebida de especialidade em Los Angeles ou Nova Iorque. O pão, os ovos, os legumes frescos e o vinho local surpreendem muitas vezes quem chega pela primeira vez com o seu preço acessível.
Nada disto significa que Portugal seja perfeito ou barato para todos os que cá vivem. Em todo o país, os habitantes locais continuam a enfrentar a pressão crescente dos custos da habitação e da inflação. Mas muitos americanos que se mudam para Portugal dizem que a atração já não se deve apenas ao clima ou à reforma. Trata-se de sentir a vida quotidiana mais fácil de gerir, mais ligada e, de alguma forma, mais humana.








