A petição em questão, que tem 54 signatários e foi da autoria de Ana Luís Pinho, pede que o Chega seja proibido, argumentando que o partido não cumpre a Constituição, em particular o artigo que afirma que “associações ou organizações racistas ou aquelas que defendem a ideologia fascista não são permitidas”.
Os peticionários dizem que querem “acabar com uma festa com uma ideologia e propaganda fascistas inconstitucionais”.
Como se trata de uma petição com menos de 2.500 signatários, um debate sobre a iniciativa na comissão ou no plenário não é obrigatório. No entanto, conforme indicado pelos serviços técnicos do parlamento na nota de admissibilidade, a petição será incluída no processo de outra petição com um objetivo semelhante, que teve 12.209 assinaturas, foi admitida para debate em 28 de janeiro e será debatida em plenário
Antes da votação, a relatora Isabel Moreira sublinhou que o poder de declarar um partido inconstitucional é do Tribunal Constitucional e não da Assembleia da República, mas a iniciativa é admissível devido à possibilidade de as bancadas agirem e pedirem a inconstitucionalidade do Chega após o debate em plenário — uma possibilidade que ela considerou “inapropriada”.
A socialista citou outro relatório de sua autoria sobre uma iniciativa semelhante discutida em 2020 para reforçar que a Constituição “não impõe um modelo de tolerância virtuosa” porque, se o fizesse, “negaria o núcleo fundamental da liberdade de expressão e teria que consentir com a censura”.
“É parte do estado democrático de direito e, portanto, de uma Constituição democrática, correr o risco de acolher os intolerantes”, ressaltou. A
deputada do Chega, Vanessa Barata, acusou a deputada do PS de procurar “vincular o Chega a fenômenos como discurso de ódio, retórica autoritária, comportamento racista ou xenófobo”, argumentando que “este é um julgamento de valor político que não deveria ter lugar em um relatório que afirma ser rigoroso e imparcial”.
Vanessa Barata sublinhou ainda que a Assembleia da República não pode substituir o Tribunal Constitucional e que “a perseguição ao Chega subverte a democracia, ataca a pluralidade democrática, a liberdade e o princípio da separação de poderes”.
Paulo Marcelo, do PSD, levantou dúvidas sobre a admissão da petição pelo parlamento, uma vez que pede à Comissão de Assuntos Constitucionais que analise a legalidade do Chega, que é da competência exclusiva do Tribunal Constitucional.
“Não acreditamos que uma petição com 54 peticionários mereça mais atenção do que isso”, acrescentou, observando que os social-democratas não obstruiriam o processo, uma vez que os serviços técnicos aceitaram a iniciativa e um “relatório tecnicamente correto” foi elaborado após essa decisão.
Em 28 de janeiro, a Comissão de Assuntos Constitucionais admitiu parcialmente para debate uma petição do “Movimento contra a Narrativa” pedindo a proibição do Chega, argumentando que este partido desrespeita valores e princípios essenciais da Constituição da República.








