Apesar deste corte, a companhia aérea vai continuar a crescer nos principais aeroportos de Espanha, pelo que a capacidade total no país vai manter-se estável.

Em contrapartida, a Ryanair pretende aumentar a capacidade noutras economias turísticas, como Marrocos (11%) e Itália (9%), "dado que estes países são significativamente mais competitivos", acrescentou o executivo numa conferência de imprensa em Madrid.

O ajustamento da capacidade da companhia aérea irlandesa de baixo custo em Espanha deve-se às "elevadas" taxas aeroportuárias, que são "absolutamente não competitivas", afirmou Wilson.

Na opinião de Wilson, o governo espanhol prefere "embolsar" um dividendo de 834 milhões de euros do operador aeroportuário "sem fazer nada para travar o colapso do tráfego" nos aeroportos regionais, que continuam subutilizados em quase 70% e estão a perder rotas, turistas e empregos.

Neste sentido, Eddie Wilson defendeu que o governo "deveria usar a sua participação de 51% na Aena para reinvestir os lucros do seu monopólio na redução das taxas aeroportuárias e em incentivos nos aeroportos regionais para aumentar o tráfego, em vez de investir em aeroportos no Brasil e embolsar dividendos extraordinários".

Se forem introduzidas taxas aeroportuárias competitivas, a Ryanair poderá atingir um crescimento de 40% em Espanha, acrescentando 33 novos aviões baseados no país, abrindo cinco novas bases regionais e aumentando o tráfego espanhol para 77 milhões de passageiros por ano até 2031, sublinhou.

De acordo com o representante da companhia, o próximo ano será muito provavelmente o primeiro em que a transportadora de baixo custo não registará crescimento em Espanha desde que começou a operar no país.

Na semana passada, a Ryanair anunciou o encerramento da sua base na capital alemã, Berlim, justificando a ação, mais uma vez, com as elevadas taxas aeroportuárias.