Continuam as demolições no Porto
De acordo com o projeto de execução do troço Espinho, Porto e Gaia da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, aberto a consulta pública até dia 29, é possível constatar que se mantém a previsão de demolições no Porto, incluindo 44 habitações, sete actividades económicas (entre as quais a bomba de gasolina da Avenida Gustave Eiffel) e três edifícios de outras categorias.
Em causa estão, por exemplo, várias dezenas de casas na Rua da China, em Campanhã, bem como na Travessa da Presa da Agra e na Travessa do Freixo, conforme já noticiado pela Lusa em outubro do ano passado.
Alívio do impacto em Gaia
Em Gaia, onde estavam previstos pelo menos 64 impactos diretos em habitações, esse número será agora de 43, enquanto o número de empresas passará de 22 para 37 entre o projeto de outubro de 2025, que foi rejeitado pela Agência Portuguesa do Ambiente(APA), e o atual.
A redução das demolições de habitações em Gaia deve-se à decisão de não construir uma estação em Vilar do Paraíso, uma vez que teriam de ser demolidas várias habitações na zona do Guardal de Cima para a sua construção, o que já não acontecerá. Por outro lado, as demolições de várias empresas na zona industrial de São Caetano (15) vão continuar, assim como as demolições de nove na zona industrial dos Terços.
Em termos de habitação, a zona mais afetada será Santo Ovídio, com 14 habitações e 6 empresas afectadas, bem como um edifício de tipologia não identificada.
Haverá ainda a afetação de 24 habitações e seis estabelecimentos comerciais dispersos pelo resto do concelho.
Em Espinho, na freguesia de Anta, serão envolvidas oito casas e três actividades económicas, para além de uma casa já existente no território de Santa Maria da Feira.
A proposta de inserção da linha de alta velocidade no Porto confirma a existência de uma única ponte sobre o rio Douro, a estação de Gaia, em Santo Ovídio, e uma passagem superior abrigada em Campanhã.
Linhas subterrâneas
Em Gaia, a linha de alta velocidade será subterrânea na maior parte do seu percurso, estando prevista a construção do chamado túnel de Vila Nova de Gaia (3,4 quilómetros), dos túneis de Negrelos 1 (995 metros) e 2 (190 metros), na fronteira com Espinho o túnel de Casaldeita (1,9 quilómetros) e, mais a sul, entre Espinho e Feira, um túnel sob a autoestrada A41 (65 metros) e Cassufas (830 metros).
Para além da ponte sobre o rio Douro, está prevista uma ponte sobre a ribeira da Senhora de Lamas (566 metros), em Santa Maria da Feira, uma ponte sobre a ribeira de Silvalde (614 metros), em Espinho, e, em Gaia, um viaduto sobre a A29 (92 metros) e o viaduto da Pedreira das Lajes (439 metros).
As obras do primeiro troço (Porto-Oiã, Oliveira do Bairro, Aveiro), no âmbito da primeira parceria público-privada da linha ferroviária de alta velocidade Porto-Lisboa, deverão ter início este ano e a sua conclusão está prevista para 2030.






