Joaquim Brandão Pires, primeiro secretário da AMAL, refere que a procura de transporte rodoviário da Vamus cresceu cerca de 20% em março, sendo que a procura absoluta aumentou cerca de 15%, tendo em conta a duração do mês.

Aumento da procura nos serviços municipais

O responsável da AMAL, entidade que exerce as funções de Autoridade de Transportes na região do Algarve, sublinhou que o aumento do número de passageiros também se reflectiu nos transportes rodoviários geridos pelos municípios, com um crescimento de cerca de 20%.

Entre os municípios que têm estado consistentemente "acima dos 20%" estão Faro, Portimão e Albufeira, especificou, sublinhando, no entanto, que o aumento do número de passageiros ainda não justifica alterações na oferta de serviços.

Brandão Pires explicou que as taxas de ocupação continuam a ser médias e relativamente baixas, pelo que o reforço dos serviços ainda não é necessário.

O primeiro secretário da AMAL admitiu, no entanto, a possibilidade de adaptar a oferta de serviços "a médio prazo e se estes aumentos do número de passageiros se consolidarem".

Brandão Pires defendeu que os transportes são uma área onde "a própria existência de novas ofertas gera nova procura" e este "é um dos principais factores de crescimento do sector", a par de medidas como a redução de preços ou a criação de passes.

Depois da guerra

O dirigente da AMAL sublinhou que, após o início da guerra, foi imediatamente sentido no distrito de Faro um "efeito na compra de títulos [de transporte]", como passes, bilhetes simples ou bilhetes pré-comprados.

"Todos eles aumentaram imediatamente, portanto foi uma reação quase imediata, com as pessoas a assumirem que a escalada do preço dos combustíveis estava a chegar.

Felizmente, não foi bem assim, mas começaram logo a preparar-se para outras soluções de transporte", acrescentou.

Alargamento das soluções

Brandão Pires indicou que a AMAL já dispõe de soluções intermodais que permitem aos passageiros "com um único bilhete mudar de transporte, seja intermunicipal ou municipal", mas reconheceu que é agora necessário alargar estas soluções a outros prestadores de serviços de autocarros que operam na região, bem como à rede ferroviária.

"O melhor seria se conseguíssemos também o transporte ferroviário, mas ainda não conseguimos lá chegar", reconheceu, considerando que a criação de um passe verde para os comboios em todas as zonas do país, onde existem passes intermodais, como os de Lisboa ou Porto, tem "atrasado esta intermodalidade" na região.

Brandão Pires esclareceu que a AMAL está neste momento a "estudar e a calcular quanto é que é preciso pagar a cada operador" para criar um bilhete único de transporte que permita o acesso aos autocarros de outras transportadoras que operam na região.

"Gostava que no início do próximo ano letivo [...] já tivéssemos tudo isto a funcionar", estimou, quando questionado sobre a data para a implementação de uma solução intermodal.