"Hoje temos aqui uma notícia clara, que é o início do serviço em junho entre o Seixal e o Barreiro", disse Miguel Pinto Luz, acrescentando que esta ligação permite colmatar uma lacuna na ligação entre as populações dos dois concelhos, que "estão tão próximos", mas que, devido à inexistência de uma ponte, têm de fazer um longo percurso para se deslocarem entre si.
O anúncio foi feito durante a cerimónia oficial do 1º aniversário da operação eléctrica no Seixal, evento que assinalou também o transporte de 2 milhões de passageiros nos navios eléctricos da Transtejo Soflusa(TTSL).
"Hoje viemos aqui celebrar dois milhões de passageiros de um serviço inovador, que é também a mobilidade fluvial eléctrica. É fundamental perceber que foi um processo com retrocessos, mas que hoje está estabilizado", afirmou o ministro.
População carenciada
A população da margem sul, disse o governante, precisa muito deste serviço porque "a Fertagus (comboio da Ponte 25 de abril) está neste momento com uma falta gritante de material circulante", que vai demorar algum tempo a resolver, e, por isso, o serviço fluvial pode ajudar na mobilidade entre as duas margens.
Segundo o Ministro das Infraestruturas, a operação eléctrica do TTSL constitui "um forte contributo para o objetivo de descarbonização do transporte público, em particular no rio Tejo, e para a mobilidade sustentável de milhões de passageiros".
Reforço do serviço ferroviário
Miguel Pinto Luz indicou ainda que o Governo está a adquirir mais duas carruagens para o serviço ferroviário da Fertagus, sublinhando a necessidade de servir a margem sul.
O presidente da Transtejo Soflusa, Rui Ribeiro Rei, explicou, em declarações à agência Lusa, que a ligação fluvial entre Seixal, Barreiro e Lisboa começará, numa primeira fase, aos fins-de-semana, evoluindo depois para um serviço durante a semana, com transporte de manhã, à tarde e à noite.
Importância da ligação fluvial
Rui Ribeiro Rei explicou que a ligação será do Seixal ao Barreiro, seguindo depois para Lisboa (Cais do Sodré).
"É uma necessidade que a autarquia entende, e a população também entende, e que, na realidade, a nossa ligação a Lisboa também exige. A Transtejo não tem só de fazer ligações ponto a ponto, tem de fazer várias ligações ponto a ponto e ligações entre margens. E, neste caso, é algo que está a ser pedido há muito tempo e que não foi implementado", disse.
De acordo com dados da Transtejo-Soflusa, dos dois milhões de passageiros transportados em embarcações eléctricas no último ano, 52% foram na travessia Cacilhas-Cais do Sodré.
Os restantes 48% que viajaram em embarcações eléctricas fizeram-no na rota Seixal-Cais do Sodré, que é 100% eléctrica desde maio de 2025.
Desde novembro de 2025, o TTSL reforçou a ligação a Cacilhas com embarcações eléctricas, tendo sido realizadas 10.289 viagens até abril.
Na rota Seixal-Cais do Sodré, foram realizadas 17.276 viagens entre maio de 2025 e abril deste ano, e na travessia Montijo-Cais do Sodré, a ligação eléctrica está em fase experimental.
A empresa refere em comunicado que as 10 embarcações eléctricas em operação ao serviço da TTSL, cada uma com 540 lugares, "permitem melhorar a experiência de viagem fluvial, aumentando o conforto e a segurança, numa solução de transporte mais sustentável do ponto de vista ambiental e que reduz os custos correntes de manutenção".
Segundo a TTSL, no ano passado a empresa evitou o consumo de 1.740.000 litros de gasóleo e evitou emissões de CO2 equivalentes a 87.000 viagens de carro entre Lisboa e Porto.
Em 2025, a nível global, a TTSL terá transportado cerca de 21 milhões de passageiros e os seus 30 navios terão efectuado 128.000 viagens, com o objetivo de atingir perto de 25 milhões de utilizadores anuais.
A Transtejo Soflusa (TTSL) é responsável pelas ligações fluviais entre o Seixal, Montijo, Cacilhas (Almada), Barreiro e Trafaria/Porto Brandão (Almada), no distrito de Setúbal, e Lisboa.








