A CCIAH sublinhou que o pré-aviso de greve é uma decisão profundamente irresponsável que pode prejudicar gravemente a empresa e a região neste momento crítico.

Numa carta enviada na segunda-feira, 9 de março, à administração da SATA e aos serviços do Governo dos Açores, o SITAVA e o SINTAC criticaram a condução da privatização e anunciaram uma greve às horas extraordinárias a partir de 24 de março.

Os sindicatos convocaram uma greve a todas as horas extraordinárias e dias de descanso na SATA Air Açores, com início à meia-noite do dia 24 de março de 2026 e com duração indeterminada.

A CCIAH alerta para o facto de que, numa altura em que o grupo SATA passa por grandes mudanças, qualquer greve que perturbe as operações ou que abale a confiança no transporte aéreo regional prejudica os interesses da empresa, dos seus trabalhadores e dos Açores.

A CCIAH lembra que o transporte aéreo é uma "infraestrutura vital" para a coesão territorial, a mobilidade dos açorianos e o funcionamento da economia regional. Alerta que qualquer perturbação significativa nas operações aéreas terá um impacto direto no turismo, na atividade empresarial e na vida quotidiana das populações das nove ilhas.

Tendo em conta estas potenciais consequências, a CCIAH considera a ação do sindicato como uma preocupante falta de responsabilidade num momento altamente sensível para a companhia.

A CCIAH considera que a instabilidade operacional no transporte aéreo regional merece uma forte crítica.

A CCIAH constata que a separação e a privatização dos serviços de assistência em escala estão em conformidade com os compromissos assumidos pela região perante as instituições europeias e com as exigências de reestruturação do grupo SATA. A CCIAH reitera que o sucesso da privatização da SATA Internacional - Azores Airlines é essencial para as finanças públicas regionais e para a mobilidade dos açorianos.

A 19 de fevereiro, o coordenador da Comissão de Trabalhadores da SATA Air Açores manifestou "profunda preocupação" com a privatização a 100% do handling, alertando para o facto de se tratar de um "risco estrutural" com implicações para os trabalhadores e "todos os açorianos".

No mesmo dia, perante a Comissão de Economia da Assembleia Regional, o Presidente da SATA, Tiago Santos, afirmou que a privatização é um compromisso da SATA e dos Governos com a Comissão Europeia, permitindo os auxílios de Estado que apoiaram o grupo SATA em 2022.

No dia 28 de janeiro, a administração da SATA informou os trabalhadores que pretende formalizar a separação dos serviços de handling em março, através da criação de uma nova empresa e do início do processo de privatização desse serviço.

Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou um auxílio estatal português no valor de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais para apoiar a reestruturação da companhia aérea, incluindo medidas como a reestruturação e a alienação de uma participação de controlo (51%).